Seu problema não é o seu peso
Em Comportamento, Viva fora dos rótulos | 29 de ago de 2018

Você perde o emprego, termina um relacionamento, não consegue pagar os boletos, não sai todos os finais de semana para os picos mais badalados da cidade, tem questões mal resolvidas na família, se desentende com o amigo de infância, tira notas baixas nas provas da faculdade, o carro quebra ou seu time do coração está em má fase que nem sequer empata uma partida.

Na fase adulta temos a tendência de mascarar nossas frustrações quando algo negativo acontece, afinal “não somos mais crianças para chorar diante dos obstáculos”, certo? Ou às vezes até acreditamos não sentir o efeito quando na verdade estamos absorvendo da pior forma o impacto daquela frustração.

O problema é que sentimentos e sensações reprimidos precisam ser liberados de alguma forma e é nesse momento que a gente começa a jogar contra.

O cabelo começa a ficar feio todos os dias, nenhum look te faz se sentir bem, a pele passa a ficar horrível, as unhas se tornam um pesadelo, o seu óculos de sol preferido passa a ser uma péssima escolha e nem os sapatos você acerta mais. Nessa fase seu corpo vira seu campo de batalhas e uma fonte de inesgotáveis frustrações.

A questão é que faz parte da natureza humana se subjugar, ou seja, reduzir-se às características físicas que passam a ter uma relevância antes pouco notadas e render-se a atender padrões considerados anteriormente tão irrelevantes.

Está dada a largada para a maratona de baixa autoestima, depreciação do próprio corpo e profundo desapontamento por ser exatamente como você é, assim do seu jeitinho.

Você sai da posição de “tá tudo bem ser assim” para “eu preciso me encaixar”. Nesse momento, a queda no limbo entre pouca vontade de mudar e a tormenta de continuar exatamente como está é inevitável.

Começa então um looping doentio de autodesvalorização, normalmente marcada pela busca da perda de peso a qualquer custo, das centenas de procedimentos estéticos, da mudança brusca de alimentação, do consumo irresponsável de inibidores de apetite, entre outras práticas.

Dentro desse contexto, para todos os caminhos existirá uma única linha de chegada: a frustração.

E eu, que acreditava tanto que a felicidade estava se escondendo por trás do meu corpo gordo, concluo que, mesmo diante de um biotipo magro, ela resolveu não aparecer.

E então, podemos concluir que nem sempre a insatisfação gerada pelo nosso corpo é originada dele mesmo. Às vezes todo esse desagrado foi originado de frustrações comuns acerca de relacionamentos, decisões ou posição social.

O pulo do gato nessa situação é entender que a autoestima não é composta apenas das características físicas, outras questões influenciam igualmente para que a gente se sinta feliz com o que realmente somos, como uma boa colocação no mercado de trabalho, saúde financeira, conquistas pessoais, relacionamentos ou até mesmo uma taça de campeonato conquistada pelo time do coração.

É importante saber que sentir-se dessa maneira é comum, mas o mais importante é entender a raiz de origem das insatisfações.

No vídeo abaixo eu discuto mais sobre como situações cotidianas e comuns podem abalar a autoestima e acharmos que todo problema está com o corpo. Veja:

Você só encontrará a razão se parar para se questionar. Pergunte-se sem medo!

*Foto by Drop the Label Movement on Unsplash

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