Meu amor antes de um amor?
Em Destaque, Viva fora dos rótulos | 12 de mar de 2018

*Crônica

Relacionamentos humanos são difíceis, até porque conviver com as diferenças, e até mesmo com as semelhanças, não é uma tarefa tão fácil. O que piora essas tentativas de convívio é que nem sempre conseguimos de fato anular a presença de um desafeto de nossa vida pelo simples fato de que aquela pedra no seu sapato é um cristal na vida de alguém importante para você, do seu verdadeiro amor.

Respira um, respira dois e respira três. Conta de um a mil. Sorria e acene porque essa tortura tem hora para acabar. Às vezes, dura as 4 horas de festinha do filho do amigo, os poucos minutos de conversas cruzadas no churrasco da família ou duas horas intensas de um almoço indesejado.

Para alguns, fingir que está tudo bem é fácil, para outros nem tanto. Já ouvi dizer que é uma questão de maturidade, mas encaro como traço de personalidade mesmo.

Por trás do sorriso amarelo, da troca de olhares evitada, do silêncio pesado e do desânimo disfarçado de alegria existe uma guerra silenciosa que mata dia a dia a tentativa de resistir ao veneno servido pelo outro.

Bebericar desse veneno vale a pena? Até quando pagaremos com lágrimas escondidas uma história de amor digna de reportagem de revista? Enfrentar essa guerra silenciosa por um amor saudável e bonito é um atentado ao amor próprio?

Talvez essas sejam daquelas questões que nunca encontraremos a resposta certa. “Eu não mereço isso” é daquelas frases que mais ferem nosso amor próprio e despertam um alarme ruidoso do nosso sistema imunológico emocional, mas sou dessas que tenta colocar tudo na balança da justiça.

Texto: Thatá Figueiredo
Ilustração: Dany WR Ilustrações

Eu sei que o amor próprio visa eliminar qualquer toxicidade de nossas vidas, mas venhamos e convenhamos, a vida real é de fato mais difícil que isso. Por maior que seja nosso amor próprio, teremos que engolir sapos na nossa vida, seja do chefe chato em nome de uma carreira, daquele parente sem noção em nome da paz familiar ou da nossa pedra no sapato em nome do amor, mas isso não pode significar abrir mão da paz de espírito ou do bom relacionamento com você mesmo.

*Inspiradas em sentimentos reais, as crônicas não tem compromisso com histórias verdadeiras e factuais da autora.

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