Comparação e frustração andam de mãos dadas
Em Comportamento, Viva fora dos rótulos | 27 de ago de 2018

O sol começa a se despedir no horizonte anunciando o final de mais um dia. Da minha mesa de trabalho bagunçada por um mix de papéis, anotações, jornais e revistas, em frente à janela, percebo que o movimento de pessoas e carros na rua aumentam gradativamente e, por fim, deduzo que mais um dia útil se foi sem que eu notasse o passar das horas.

Sigo sentada na mesma posição, os minutos se vão e adentro madrugada carregada de sonhos e vontades, que são capazes de injetar mais adrenalina do que uma xícara de café no meu organismo.

O corpo não acompanha a mente, que projeta de forma rápida o sonho do sucesso. Afinal, que sucesso é esse que eu, você e tantos outros jovens adultos buscam?

É curioso como nos vemos em dúvida quando somos questionados sobre nossos sonhos para o futuro, mas ao mesmo tempo somos capazes de sentir uma inveja assustadora do amigo que posta uma foto na praia com um copo suado de cerveja em plena quarta-feira três da tarde. às 15h.

A grama do vizinho nunca foi tão verde quanto é agora já que temos as redes sociais como ferramenta eficaz para nos comparar a todo momento com os outros.

Entenda que se comparar com os outros é quase que um instinto natural do ser humano, uma vez que vivemos nos autoavaliando e a comparação funciona como uma “régua” que mede quão bem-sucedido ou fracassado você está em determinadas áreas da vida.

“Como você quer ter conquistas similares às dos seus pais se eles já viveram o dobro que você? É uma comparação injusta, não acha?” constatou minha psicóloga em uma das minhas sessões de lamentação por não me sentir bem-sucedida.

E, no meio daquela reflexão, finalmente consegui perceber como eu estava sendo incoerente e ingrata com as minhas conquistas, sonhos e trajetória.

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A gente não percebe que a comparação diminui as pequenas conquistas, tira o sabor da alegria de dar mais um passo em direção ao grande objetivo, transforma o trajeto em um caminho angustiante e provoca frustração atrás de frustração.

Caímos numa necessidade de escrever uma história repleta de triunfos, mas nos negamos a passar pelos insucessos simplesmente porque esquecemos que a vida real é um eterno jogo de erros consecutivos que nos levam a um vitorioso acerto.

A comparação arruína a autoestima, o poder de superação, a vontade de ir além, a alegria de ser, o frio na barriga dos desafios, pois ela nos anestesia no looping de sentimentos da frustração.

Seguir rumo a quem desejamos ser de verdade ou ao que ansiamos é aceitar que vamos errar, acertar e escrever o nosso caminho com o nosso jeito.

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