Como lidar com preconceito e discurso de ódio?

Precisamos questionar e refletir nosso posicionamento

“Não tem como se amar gorda” escreveu uma pessoa na foto que postei na última segunda-feira da exposição da História de Fogo no Pop Plus com a seguinte frase:

IMG_7928
Infelicidade mata mais que obesidade você já se amou hoje?

Se eu não rebatesse aquele comentário não seria eu, pois não consigo me calar diante de situações de preconceito explicito, discriminação ou qualquer outra ação que tenha como objetivo diminuir alguém ou um grupo.

Não é meu objetivo criar uma polêmica diante do comentário, afinal conforme o blog for crescendo sei que assim como receberei muito carinho e amor também terei que lidar com comentários ácidos e carregados de preconceito, afinal o mundo online nada mais é que o reflexo do mundo real.

Porém, diante disso pensei muito sobre como a sociedade lida com as diferenças e comecei a devagar em tragédias ocasionadas por preconceito, falta de empatia e respeito ao próximo.

São inúmeras notícias que lemos nas páginas policiais sobre casos de violência por preconceito e, a última e maior delas, foi o caso na boate gay lá nos Estados Unidos, mas aqui no Brasil nossos números não são menos assustadores.

Cor, credo, peso, orientação sexual e time de futebol são motivos suficientes para ofender, agredir e matar. Me pergunto diariamente, com qual direito a pessoa se sente de tirar a paz de outra por pesar 30 ou 40 kgs a mais que ela? Com qual direito a pessoa se sente em tirar a vida do outro por torcer para o time rival? Com qual direito a pessoa se sente em agredir um homem por estar de mãos dadas com outro? Com qual direito um serumaninho se sente em xingar a outra por causa do tom de pele? Com qual direito a pessoa se sente em humilhar alguém por ser do sexo oposto?

ivemos em uma sociedade machista, retrograda e preconceituosa, por isso, qualquer que seja o discurso de ódio deve ser reprimido e questionado, sim. Por muitos anos as “minorias” foram caladas e hoje que estamos cada vez menos longe (veja bem: menos longe e não mais perto, pois a caminhada será árdua) de adquirir o espaço de igualdade são julgadas de “mimimi”.

tumblr_m7dqrchXIp1qb6ivto1_500
Por que rotular tudo?

Sempre que me vejo em situações do tipo (infelizmente não é a primeira vez no Instagram do blog) algumas pessoas me aconselham a “deixar isso para lá, pois não vale a pena bater boca.”

Discordo, pois por sempre termos nos calado que hoje as pessoas se sentem no direito de agredir a quem está fora dos rótulos determinados pela sociedade corretíssima.  Precisamos nos posicionar e questionar, sem proferir discurso de ódio ou de estereótipos e sim fazer com que aquela pessoa enxergue o quanto está errada.

Só quem sofre o preconceito na pele sabe o quanto é doloroso e não adianta dizer que você imagina, pois só quem é negro sabe o que é verdadeiramente o racismo, só quem é gay sente o que é a homofobia, só as mulher reprimidas sabem o que é o machismo e só quem é gorda sabe o quanto dói a gordofobia.

Lembro que em uma das minhas mil passagens por academias me vi em uma situação um tanto quanto hostil e preconceituosa. Havia uma aluna que nunca respondia aos meus cumprimentos de “bom dia” e nem ao menos olhava na minha cara, confesso que nunca entendi o porquê, até o dia que eu escutei-a dizer: “não suporto gente gorda. Se eu um dia fui e estou super magra porque essas preguiçosas não podem emagrecer também. Bando de relaxadas. ”

Nós gordas já não nos sentimos bem nesse espaço por sermos julgadas de preguiçosas e doentes, imagina compartilhando o espaço com esse tipo de pessoa? São esses tipos de situações que os grupos minoritários são expostos diariamente.

A grande questão é que falta empatia (assunto que discuti semana passada com vocês) e respeito.

Por isso, não podemos nos calar e devemos nos unir mais e mais, nos fortalecer nessas situações que nos colocam e jamais deixar que alguém cresça em cima de ridicularizações ou discurso de ódio.

Estamos juntas na batalha do nosso espaço e preconceituosos não passarão!

Espero que com esse texto você consiga refletir e se fortalecer para enfrentar situações cotidianas de preconceito velado.

Força na peruca. Estamos juntas nessa?

Beijos

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *