5 frases machistas que eu já disse (e me envergonho!)
Em Destaque, Empoderamento | 07 de mar de 2018

Olhar para dentro e colocar a autocrítica em prática é muito difícil, mas asseguro que na mesma proporção é enriquecedor. Gostaria de te convidar a fazer esse mesmo exercício e, caso você se identifique com os meus apontamentos, não se sinta mal, afinal nascemos e crescemos em uma sociedade patriarcal* em que inconscientemente acreditamos que o machismo é normal.

Legenda:Patriarcado

A transição da fase menina para mulher me trouxe uma nova visão para o Dia Internacional da Mulher e a data perdeu o sentido de celebração para tornar-se símbolo de resistência.

Diariamente pipocam na mídia e nas timelines de nossas redes sociais casos de feminicídio, assédio sexual e outras formas de violência contra a mulher e, mesmo assim, uma fatia da população tende a fechar os olhos e encarar tudo com muita tranquilidade.

Me pergunto quantas mulheres estão sofrendo algum tipo de agressão enquanto eu escrevo esse texto na tentativa de provocar a mínima reflexão em pelo menos uma pessoa aí do outro lado da telinha.

Para te ajudar a refletir sobre machismo e os espaços que ainda devem ser ocupados por mulheres, veja 5 pensamentos machistas que eu – infelizmente – já repeti:

Se dê respeito

Perdi as contas de quantas vezes ouvi dos meus pais em diferentes situações o conselho machista de “se dê o devido respeito”, você provavelmente também. Se na sua opinião uma mulher precisa se portar como tal, ou seja, falar baixo, maneirar na expressão corporal, sentar de perna fechada e manter a pose (pose do que mesmo?), saiba que você está sendo machista, assim como eu fui um dia!

Repensar a máxima do “Se dê ao respeito” também irá impactar na forma com que você se relaciona e respeita as pessoas que estão ao seu redor.

Olha o tamanho da saia dela, estava pedindo!

Ui, essa está entre as piores formas de machismo e dói na alma admitir que um dia eu já pensei assim.

Me lembro como se fosse hoje, em 2009, a Geisy Arruda foi hostilizada na universidade que cursava turismo por conta de um vestido rosa-choque considerado curto demais pelos outros alunos da instituição. Nessa época, eu havia acabado de entrar na faculdade e fiquei bons meses muito neurótica com as roupas que escolhia para frequentar as aulas. Será que está curta, decotada ou colada demais?

Sem perceber eu e tantas outras mulheres colhíamos as consequências de um ataque sofrido por uma de nós. Esse caso ficou muito conhecido e ainda hoje, quase 10 anos depois, as pessoas continuam culpando as vítimas pela violência recebida. Um estudo realizado pelo DataFolha em 2016 é prova disso, cerca de 42% dos homens acham que mulher que se dá ao respeito não é estuprada.

Não confio em profissionais mulheres

Constantemente o gênero feminino é usado para expressar fragilidade, desqualificação e incapacidade, por isso é natural que cresça enraizado em nossas verdades uma desconfiança inconsciente da capacidade da mulher no exercício de qualquer profissão. Depois do meu processo de desconstrução percebi que de forma – também – inconsciente tenho buscado me cercar e valorizar profissionais mulheres.

Mulheres não entendem de carro e futebol

Herdei do meu avô e pai a paixão pelo futebol, mas sempre senti necessidade de justificar esse gosto por medo de que minha feminilidade fosse questionada, uma vez que aprendi que futebol e carro eram terrenos proibidos para mulheres.

Deixei de usar a camisa do meu time de coração no churrasco da família, pois diziam que era “muito feio uma menina andando com camisa de time por aí”, enquanto meus tios e primos desfilavam com suas coleções em cada encontro familiar. Ir ao estádio de futebol sozinha ou com uma amiga? JAMAIS, afinal isso não é lugar de mulher ir sozinha.

Ainda hoje existe um machismo severo enraizado nos campos e arquibancadas que custa a aceitar que o espaço da mulher também é no futebol ou atrás de um volante de carro ou onde ela quiser.

Mulher no volante perigo constante

Rolou aquela fechada sem querer ou uma freada brusca e a frase é sempre “tinha que ser mulher”. Louca para dirigir desde cedo eu dizia que iria dirigir tão bem quanto um homem, por mais uma vez entender que exercer tal atividade como mulher me colocaria em uma posição vulnerável e de má qualidade.

Acredite se quiser, aqui em casa minha mãe dá show de volante e mesmo assim custei a perceber que o gênero não está ligado à qualificação de uma pessoa no exercício de qualquer atividade, seja dirigir ou cozinhar.

A grande verdade é que não somos culpados por nosso machismo, uma vez que nascemos e fomos criados dentro de uma realidade de coloca a mulher em posição de submissão ao homem. Por mais desconstruído que você seja é difícil abandonar alguns hábitos. Porém, nos tornamos responsáveis e culpados se continuarmos a propagá-lo quando percebemos que ele existe.

Nesse Dia Internacional da Mulher, dê bombons e flores acompanhados de respeito.

*Patriarcado é um sistema social em que homens adultos mantêm o poder primário e predominam em funções de liderança política, autoridade moral, privilégio social e controle das propriedades. No domínio da família, o pai (ou figura paterna) mantém a autoridade sobre as mulheres e as crianças

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